sábado, 3 de julho de 2010

história 201: bicha má ou o poder da roupa

eu estava no James Bar - pra variar – dançando, cantando, bebendo, sorrindo, conversando e outros muitos gerúndios de uma pessoa ungida na glória da noite. adquiri uma Heineken – porque sou apaixonado pela verdinha – e subi para a parte de cima do bar. fiquei por ali observando as pessoas, vendo o DVD do Arctic Monkeys que passava pela 150ª vez - só naquela noite. fiquei aguardando algo acontecer, e aconteceu.

a bicha, trabalhada na maldade, caminhou em minha direção, parou sorridente e disse num tom de deboche:

- camiseta Riachuelo, né?!

fiquei 10 segundos em silêncio, imóvel, com minha melhor cara de origami – sem expressão –, incredulo e antes de agir, pensei qual era o sentido daquela abordagem fail, depois pensei em tudo que eu poderia fazer com aquela homossexual passiva. eu poderia (a) dar um grito estridente e avançar com minha Gillette na mão pra rasgar a cara da desgraçada, mas isso causaria minha expulsão do bar, (b) cuspir na cara da maligna e sair fina ou (c) não falar nada, virar as costas e voltar pra pista e dançar feito biscate. o mais prudente era sair e fingir que nada tava acontecendo e voltar pra meus gerúndios de um ser ungido. mas eu, trabalhada na glória, apenas disse:

- é verdade, a camiseta é Riachuelo, mas sabe qual a diferença entre ela em mim e em você?

a bicha não disse nada, mas o olhar demoníaco se mantinha. eu continuei:

- a diferença é que em mim, nenhum deles vai crer que é uma Riachuelo, não que isso tenha problema, mas em você, meu amor, não garanto.

(bate cabelo) desci a escada e voltei a dançar, sem dar chance para o exu-gay falar algo. e pra falar a verdade, nem o vi o resto da noite inteira. fim da história, mas eu não poderia deixar de questionar – outra vez: qual o objetivo dessa abordagem, gente? o que essa pessoa ganhou identificando, o que, teoriacamente, seria uma camiseta de uma marca “inferior” – inferioridade, talvez comprovada, caso fosse comprada a um Armani, Calvin Klein, enfim...? sim, eu uso C&A, Renner e Riachuelo. sim, eu acho peças que me agradam nessa lojas de fast fashion, uso e não nego. acredito que a roupa não faz de você, o que você é. ou melhor, não é sua roupa, exclusivamente, que te torna o que você. não to aqui pra desmerecer o poder da indumentária, até porque, eu faço faculdade de moda e isso sério uma hipocrisia imensa, acredito no poder da roupa, mas pare e pense, se tratando de roupa: tudo é efêmero. quem dá importância pra roupa, somos você e eu, porque no fim elas só servem pra nos proteger do frio, do calor e cobrir nossos orgãos sexuais. pronto!

no fim, um ser humano desses é digno de pena. super valoriza o que não deveria ser super valorizado, mas nesse mundo, é cada um por si e, tomara, que Deus por todos. vou te contar...

11 comentários:

FOXX disse...

tb uso
e adorei sua resposta!!!

Renato Orlandi disse...

A-do-rei, foi muito digna sua resposta, realmente é difícil entender algumas pessoas e algumas atitudes como essa. Sobre moda eu gosto de saber o que anda acontecendo e talz, mas não tenho problemas com marcas ou coisas do tipo, concordo contigo, gosto de saber porque é muito legal desfiles e aquelas coisas mais extravagantes, conceituais... enfim...

Wagner disse...

É bem isto mesmo! O seu post me trouxe algumas referências interessantes como o belo livro de Gilles Lipovetsky, 'O Império do Efêmero' e a lógica aristotélica. A roupa não é inferior em si mesma, mas no juízo a posteriori que se faz dela. A propósito, como consumidor (tento ser consumidor e não consumista, rs)eu não acho que roupas da Riachuelo, C&A, Renner são inferiores, pois as camisetas que eu compro duram anos e anos!
De todo modo espécimes como o protagonista deste seu post são efetivamente dignos de pena! Abraços, gostei bastante do blog, nos leva à reflexão também!

M. disse...

Pois é, espere até conhecer as bichas paulistanas...

Bravo Jarbas! Eu sou alguém que nunca vivi de marcas, visto o que eu gosto, é confortável e me faz bem. Claro que sou a favor do estilo, da individualidade, não vestir grife não significa se vestir mal.

Beijo grande!

[mega] Paulo Mamedes disse...

Não tenho nem palavras para comentar sobre esse ser tão alienado.

Ele não deve saber nem o que é High low... kkkkkkk

Beijão

K. disse...

eu preciso ir conhecer esse james bar...

qdo fui a curitiba, há milenios, só me aventurei na cats... nem sei se existe mais e se o james já existia na época!

S.A.M disse...

palmas/

chorei de emoção, melhor que isso só se após sua saída eu aparecesse desse um tapa na cara da bichinha mequetrefe e em seguida jogasse alcool na cara dela e a visse carboinizando sem que as pessoas pudessem fazer NOTHING. kkkk

Querido, o lance é esse, chega de nos rendermos a o que essas mentes ocas acham, também me jogo na C&A sem problemas e saio muito mais fino do que muita gente que usa G.A sem estilo.

Beijos ficaadica!

Mauri Boffil disse...

eu tb uso riachuelo, e adoro algumas peças de lá... C&A não muito

Filipe Pereira disse...

Oi, adorei o texto! Só uma coisa chata, acho que estão te copiando: http://nostalgiaindispensvel.blogspot.com/2010_07_01_archive.html

Abraços!

hpaulista disse...

ah, é tão triste conhecer pessoas desse tipo. Ainda bem que vc tem jogo de cintura!

Rhenan disse...

A-M-E-I a resposta q vc deu! Super eficiente e fina.
Vou te falar, é cada criatura q aparece pra tentar estragar nossa diversão...
Vou dizer uma coisa, tenho uma camiseta da C&A que ganhei de aniversário e acho ela tudo, veste super bem em mim. Sempre arraso com ela.
Bjo!

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